terça-feira, 6 de outubro de 2020

Os Encontros nada geniais de Alberto e Flora.

Depois, de varias sugestões eles finalmente chegaram num denominador comum, eles jogaram os dados e foram se encontrar na Flip, para ele um lugar emblemático para Flora,por causa dele,acabou sendo.

 Paraty,Rj- Flip - Um ano qualquer, ainda sob os efeitos da pandemia.

Não chovia e não estava aquele calor voraz , o clima estava mesmo muito fresco, só andavam lado a lado pelas ruas de pedras irregular,o cheiro do ar, atmosfera tudo era muito acolhedor.   As ´pessoas caminhavam de um lado para outro, pelos stands, respeitando a sinalização de ir e vir pelos corredores, o álcool gel ainda permanecia como cartão de visitas nas portas, enfim o clima de descontração foi o que os levou pelas mãos, mesmo que ainda silenciosos eles tinham muito ainda há dizer,mesmo que tudo já tivesse sido tido, horas escrito, horas desenhados, horas em emotions...em vários dias de silencio outrora. 

Dormiram na sacada do apartamento, a ideia era ver o amanhecer,mas Flora dormiu por causa do vinho, aconchegada no peito de Alberto e ele por sua vez adormeceu a vendo em paz. Torcicolo a parte e dores nas costas os fizeram entender que a melhor opção era ver o por do sol do dia seguinte na praia, e assim o fizeram.

Ir embora sempre era algo partido,rasgado e apertado, tantas escolhas, tantas coisas,tanta gente,tanto tempo e eles ali.Ainda se despediam como sempre e sempre. Foram embora carregando cada qual seus livros, Flora e seus livros feministas e de fantasia carregando consigo um doce conforto e Alberto com suas longas pernas carregava seus livros e um pouco do cheiro de Flora e fiapos do cabelo dela ainda dormiam em sua jaqueta. ( Alberto nunca os tirava ele sabia que não era proposital )

- Esta com cabelos meus na sua jaqueta!- Sorriu e continuou - Voêe sabe que eu não tenho controle sobre meus cabelos! Eles caem onde mais lhe convém! 

Era o doce ressonar da despedida.

Flora seguiu falando enquanto a fila para o ônibus se movia - Vamos no Rock in Rio? 

Era sempre assim que os encontros e reencontros ganhavam forma. 

O arquiteto dos encontros sempre fora Alberto, Flora sempre tinha ideias, mas toda a engenharia, pesquisa,cada ponto, cada vírgula e respiração era milimetricamente calculado por Alberto, e tudo que Flora queria era morar nas reticências e no "finito enquanto dure", durou o tempo justo,o tempo que os sonhos duram,assim era o "para sempre deles"...together..juntos.

Rock In Rio

Flora, ainda imaginava o que Alberto poderia estar pensando sobre ir ao Rock In Rio quando chegou à casa e recebeu uma mensagem curta : - Eu vou.

O convite foi aceito, a roda dos dias começou a girar, os dados estavam suspensos no ar, o convite era para assistir ao show da grama...estranho? Para eles não, nunca nada seria estranho se permanecessem um na companhia do outro, mesmo que daquele jeito.

Sentados na grama, em cima de uma imensa toalha que Flora levou, ela o olhava curiosamente - Achei que não aceitaria?

- Eu estou aqui! sorriu Alberto.

Nada foi chato! Nada! A grama pinicou um pouco, o tempo voou, eles cantaram, tomaram agua, refri e cerveja quente,quase fizeram xixi na roupa por causa da fila do banheiro,comeram aqueles sandubas horríveis, riram de tudo e reclamaram de tudo como velhos que são! 

Ao fim,quando finalmente chegaram a porta do hotel o sol se levantava e "Drumond" estava sozinho sentado na praia,eles caminharam em direção a ele e ao nascer do sol eles sabiam de novo que seria "eterno enquanto durasse".

Mais, uma despedida, cada um retornou ao seu lugar. 

Flora retornava versada nos poemas de gestos gentis de Alberto, ele por sua vez levava um pouco da alma rockeira de Flora que via shows sentada na grama.

De volta ao mundo,eles sabiam que um dia sentariam juntos numa varanda para falar da Flip e do torcicolo, da rock in rio e da grama e da cerveja. E quando a lua chegasse ao seu ponto mais alto no céu eles estariam indo dormir porque são almas gentis e velhas,com muita vontade de amar para sempre um ao outro.